Crónicas de uma Mulher que escreve com a Pele
Tempo para mim Aprendi, com lágrimas silenciosas e noites em que o peito parecia um tambor partido, que não devo levar a rejeição a peito. Ela não fala de mim — fala do outro, fala do momento, fala da dança invisível entre almas que às vezes não se encontram. E eu, que tantas vezes me rasguei por dentro, tentando ser inteira para todos, esqueço-me de ser inteira para mim. Sinto-me desfeita, às vezes. Como se estivesse presa entre a urgência de cuidar da minha saúde mental e a velha tendência de me colocar sempre em último lugar. Como se o mundo me ensinasse que o amor é sacrifício, e eu tivesse aprendido a oferecer-me como altar. Mas não faz mal nenhum. Não é egoísmo, não é fuga. É sagrado. É cura. É necessário. Tirar tempo para mim é como regressar ao ventre da Terra, onde posso escutar o meu corpo, sentir o pulsar dos meus chakras, ouvir o sussurro da minha alma. É para isso que realmente preciso do tal tempo para mim — para me lembrar que sou mulher inteira, não metade de ninguém. E...